Iniciativa social leva artesãos de diferentes regiões do país à maior feira de decoração da América Latina

A iniciativa Novos para Nós convidou artesãos selecionados de diferentes estados do país para expor parte de seus acervos e apresentar ao público a diversidade de suas culturas

Por jangada.online em

17 de agosto de 2026 às 10:17
Loja Fibra Morena, do Novos Para Nós, na ABCASA Fair Divulgação ABCASA

A 17ª edição da ABCASA Fair reuniu três iniciativas de diferentes regiões do Brasil por meio do projeto ABCASA Social. Do Baixo Rio Negro, no Amazonas, ao interior do Mato Grosso do Sul, passando pela própria capital paulista, as iniciativas mostram como a feira se consolida como vitrine para o artesanato nacional e para o impacto social que ele é capaz de gerar.

Idealizado pelo artista e galerista Renan Quevedo, a iniciativa Novos para Nós convidou artesãos selecionados de diferentes estados do país para expor parte de seus acervos e apresentar ao público a diversidade de suas culturas. Nesta edição, participam artistas de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Pará.

Representando o Mato Grosso do Sul está a Fibra Morena, empresa familiar que percorre o estado em busca de artistas locais para dar visibilidade à arte indígena, sobretudo à etnia Terena. Na ABCASA Fair, a marca apresenta peças de madeira entalhada, cerâmica da região de Bonito, pintura terena e trabalhos em cabaça, material natural cujas tintas, produzidas de forma artesanal, reforçam a identidade das peças.

Integrada ao projeto Terra, a Fundação Almerinda Malaquias (FAM), de Novo Airão (AM), atua há mais de 26 anos promovendo educação ambiental e desenvolvimento sustentável no Baixo Rio Negro. Referência em inovação social na região, a iniciativa já formou mais de 1.000 artesãos e hoje reúne 52 famílias, sendo 34 artesãs e artesãos mestres.

Loja Ramamuri, do Mãos e Mentes Paulistanas, na ABCASAFair Divulgação ABCASA

O trabalho começou com o entalhe de peças em madeira Itaúba recuperada da construção naval e evoluiu para a marchetaria, técnica de composição com madeiras de cores naturais diferentes, sem uso de tinta. Hoje, a produção inclui caixas, bandejas, pratos e bancos inspirados na fauna e na flora amazônicas, sempre a partir de madeira de demolição ou reaproveitada.

Além da FAM, a Cerâmicas Muniz, de Cascavel (CE), também esteve no espaço, levando à ABCASA Fair mais de seis décadas de tradição familiar na cerâmica artesanal. A produção preserva uma técnica desenvolvida pelo mestre Francisco Muniz, que combina o barro com desenhos inspirados na tradicional renda de bilros, criando peças que unem identidade regional, memória cultural e funcionalidade.

Outra iniciativa apresentada foi a Mãos e Mentes Paulistanas, da Prefeitura de São Paulo. O programa já credenciou 10.500 artesãos na cidade e, entre 2019 e julho de 2026, gerou R$ 6,5 milhões em renda a partir de vendas realizadas em feiras, eventos e em 8 espaços físicos. Somente em 2026, até julho, foram gerados R$ 1 milhão nesses encontros, R$ 250 mil a mais do que no mesmo período do ano anterior.

A Ramamuri, focada no trabalho com cimento e concreto, cria produtos com efeito granilite, técnica em que a massa de concreto é moldada e lixada para expor as pedras incorporadas à peça, e vasos sustentáveis a partir do reaproveitamento de garrafas de vidro de cerveja e vinho. “O brutalismo está em alta, mas gostamos de misturá-lo com itens mais delicados, como a vela, para dar contraste e destacar a peça”, explica Jessica Matos, artesã.

Fundação Almerinda Malaquias, do Projeto Terra, na ABCASA Fair Divulgação ABCASA

Além da Ramamuri, outras quatro marcas foram apresentadas no espaço, com trabalhos que incluem colares de mesa, cerâmicas, quadros bordados e cestaria.

“A participação dos artesãos do Mãos e Mentes Paulistanas na ABCASA Fair mostra como a união entre poder público e iniciativas do setor privado pode ampliar oportunidades para os pequenos empreendedores. Abrir espaço para o artesanato em uma das maiores feiras do segmento na América Latina é reconhecer o valor econômico, cultural e criativo desse setor, além de contribuir para sua profissionalização e inserção em novos mercados”, afirma Rodrigo Goulart, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho de São Paulo.

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