Programa de reflorestamento no Pecém assegura preservação de 179 espécies nativas de fauna e flora

Há 10 anos, três áreas verdes localizadas nos municípios de Caucaia e São Gonçalo do Amarante estavam degradas e corriam riscos de desaparecerem com o avanço da especulação imobiliária e do turismo desordenado no local. De início, com a chegada do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp) e das instalações da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), empresa conveniada a Associação das Empresas do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (AECIPP), despertou-se vários questionamentos na população das duas cidades sobre os impactos negativos que estes empreendimentos poderiam causar ao meio ambiente local.

Após 14 anos do início das operações da CSP, o programa de reflorestamento executado pela companhia é o responsável direto pela preservação de 206 hectares (ha) da Estação Ecológica do Pecém, além de 15 ha na Lagoa do Bolso e na área interna da empresa, somando 412 ha, com 320 mil mudas de 90 espécies nativas, incluindo o Gonçalo-alves, ameaçado de extinção, e mais 89 espécies da fauna identificadas na região.

A iniciativa da reflorestação surgiu em 2012 como uma ação ambiciosa e comprometida da CSP com o meio ambiente de Caucaia e São Gonçalo do Amarante. Além de proteger para futuras gerações de cearenses o reflorestamento é de grande importância no combate às mudanças climáticas, no aumento dos recursos hídricos, na redução dos prejuízos da erosão marinha com o avanço do mar, fenômenos como enchentes, desertificação, no aumento sustentável de animais nativos e preservação de suas espécies, além do sequestro de CO2 e redução do efeito estufa.
Conforme Ramyro Batista, analista ambiental na gerência de Meio Ambiente da CSP, o reflorestamento projetado para as áreas verdes em Caucaia e São Gonçalo estreou a partir da identificação das espécies já existentes na região. “Mapeamos cerca de 90 espécies nativas; foram coletadas a sementes; e elas foram utilizadas no nosso programa de reflorestamento”, explicou Ramyro.
O maior quantitativo de replicação e mudas foi da espécie Gonçalo-alves (Astronium fraxinifolium). Segundo Ramyro é a planta com a menor incidência na área. “Era raro encontrá-la e ela já estava em processo de extinção. Apenas três unidades foram identificadas dentro da área da CSP e essas três unidades de Gonçalo-alves deram origem a muitas. A partir da coleta do fruto e da semente, foi possível termos outros milhares de unidades que foram utilizadas no programa de reflorestamento”.
Dentre as 90 espécies nativas identificadas, foram encontradas a Angelim; os Ipês Roxo, Branco e Amarelo; o Jacarandá, Timbaúba, Catingueira e Sabiá. “Foi uma lista grande. Nós acompanhamos a coleta do fruto, após a identificação das espécies. Todas elas foram catalogadas. Identificamos as espécies porta-matrizes, que foram originárias do nosso banco de sementes para a produção das mudas. A partir dessas mudas garantimos a manutenção da mesma genética de preservação da biodiversidade local”, disse Ramyro.
Ao todo, foram 320.969 mudas de espécies nativas plantadas. Além disso, a CSP financiou o primeiro Banco de Sementes de Espécies Nativas do Ceará. Já o levantamento dos animais nativos aponta 89 espécies da fauna identificadas na região. Entre os animais de maior locomoção, estão o guaxinim, a raposa, o gavião e o gato-do-mato. Os de menor locomoção estão as cobras, lagartos, iguanas, cassaco, gambá, sapos, entre outros. Essas espécies fazem parte do habitat da Estação Ecológica do Pecém e da Lagoa do Bolso.
A espécie Gonçalo-alves (Astronium fraxinifolium) é o ‘carro chefe’ de todas as atividades da CSP. “À época (da construção), retiramos as sementes, replicamos em muitas mudas e sempre fizemos o reflorestamento utilizando também a Gonçalo-Alves. Essa planta foi escolhida porque ela é uma espécie nativa e considerada ameaçada de extinção no Estado do Ceará. Em qualquer bioma que ela for encontrada deverá ser preservada. A árvore pode atingir altura entre 8 e 12 metros e a sua madeira é comum em construções e movelaria. A planta tem uso medicinal e é cultivada também para o paisagismo e a arborização urbana. Nosso objetivo foi cooperar com a preservação desta espécie”, destacou Ramyro.
Importância
A área delimitada e preservada contra ação externa irá proteger por gerações o meio ambiente nativo de uma região verde localizada nos municípios de Caucaia e de São Gonçalo do Amarante. O avanço do setor imobiliário é uma grande ameaça naquela região, já que tem grande relevância turística para as duas cidades. O programa de reflorestamento da CSP assegura a fauna e flora permanecer presentes para as futuras gerações.
Foram recuperados pela CSP 206 hectares da Estação Ecológica do Pecém, 191 hectares da área interna da empresa e mais 15 hectares da Lagoa do Bolso. Esses esforços totalizaram 412 hectares reflorestados com o plantio de 320 mil mudas de várias espécies nativas. A área recuperada equivale a 412 campos de futebol, ou seja, somando-se todas as arenas esportivas existentes em Caucaia e São Gonçalo do Amarante ainda não equivale ao tamanho da área preservada.
Para Aline Parente, ex-gestora da Estação Ecológica do Pecém, é muito importante o reflorestamento para Unidade de Conservação (UC) e seu entorno. “Traz vários fatores significativos desde a conservação da biodiversidade, melhoria na qualidade de vida e do ar, diminuição do CO2, redução da poluição, além de outros benefícios ambientais”.
Essas áreas, existentes antes da instalação da empresa, estavam degradadas. A CSP reflorestou e enriqueceu o ambiente já existente, restaurando o seu bioma natural, mantendo a área verde mesmo em uma área de indústria.
Os ganhos para a comunidade, de São Gonçalo do Amarante e de Caucaia, são os de contarem com uma área verde preservada, onde foi promovido o enriquecimento e adensamento de espécies nativas. O equilíbrio entre a fauna e a flora local e os benefícios decorrentes são também um grande ganho para o Estado.
A Estação Ecológica do Pecém é uma área protegida aberta à visitação por escolas, universidades e comunidade em geral. Existem trilhas que as pessoas podem seguir com guias da UC. É um espaço para serem desenvolvidas também pesquisas científicas. Como resultado desse trabalho, a CSP foi a primeira empresa no Ceará a receber a certificação de reflorestamento ambiental da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (SEMACE). Em 2022, a CSP celebra os 10 anos de seu Programa de Reflorestamento da CSP.

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