Aterro sanitário é inaugurado em Pacajus com capacidade para atender 27 municípios e gerar 50 empregos

Com capacidade para receber até 800 toneladas de resíduos por dia, unidade amplia a capacidade de destinação segura de resíduos na Grande Fortaleza

Por jangada.online em

22 de junho de 2026 às 11:54
Crédito da foto: André Leonardo

Foi inaugurada, na última quarta-feira (17), a Unidade de Valorização Sustentável (UVS) Revita, no município de Pacajus, na Região Metropolitana de Fortaleza. Com capacidade para receber até 800 toneladas de resíduos por dia e atender cerca de 800 mil habitantes, a unidade foi projetada para atender 27 municípios, incluindo Pacajus, garantindo a destinação correta de resíduos sólidos urbanos e reduzindo o número de lixões na região. 

O projeto foi desenvolvido pela Revita Engenharia, empresa do Grupo Solví, e prevê o tratamento e a disposição final de resíduos com segurança e controle ambiental. A cerimônia de inauguração contou com a presença de representantes da Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima (Sema) do Ceará, prefeitos da região e do presidente da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), Pedro Maranhão.

A secretária do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Ceará, Vilma Freire, destacou a importância do empreendimento para o saneamento no estado. “Nós temos hoje uma preocupação imensa com a destinação adequada dos resíduos. No Ceará, são geradas, em média, 10 mil toneladas por dia, e ainda existem 166 lixões a céu aberto. Com a inauguração desse aterro, a gente prevê um avanço significativo para a gestão adequada desses resíduos”, afirmou.

Além dos benefícios ambientais, a instalação da unidade em Pacajus também deve gerar impactos positivos na economia local. A estimativa é de criação de cerca de 50 empregos diretos e indiretos já na primeira fase de operação. Segundo o diretor regional do Grupo Solví, Ângelo Castro, a proposta inclui priorizar a contratação de mão de obra da própria região.

“Este é o primeiro projeto da Solví no Ceará. Além de contribuir para a solução de problemas ambientais e para a saúde pública, a unidade atende mais de 27 municípios, o que amplia a escala da operação e fortalece a economia local, com geração de empregos para os moradores do entorno e aumento da circulação de recursos”, explicou.

Com investimento 100% privado de cerca de R$ 40 milhões, a estrutura inclui sistemas de impermeabilização do solo, coleta e tratamento de chorume e monitoramento ambiental contínuo. A unidade tem vida útil estimada em mais de 30 anos e foi planejada para receber novas tecnologias no futuro. Entre as possibilidades está o aproveitamento do biogás gerado pela decomposição dos resíduos para produção de energia, além da instalação de uma usina térmica.

 

Legislação ambiental

A Política Nacional de Resíduos Sólidos definiu como meta o encerramento dos lixões no Brasil até agosto de 2014. Passados mais de dez anos do prazo originalmente previsto, muitos municípios ainda enfrentam desafios para cumprir essa obrigação legal e migrar para soluções ambientalmente adequadas. Com a entrada em operação do novo aterro, a expectativa é de que ao menos sete áreas irregulares, localizadas em um raio de até 50 quilômetros, deixem de receber resíduos.

De acordo com o prefeito de Pacajus, Edilson das Casas, o município ainda utiliza um lixão, mas destacou que a implementação do novo aterro representa um avanço importante. “Hoje, Pacajus ainda é atendido por um lixão. O saneamento tem sido uma das nossas prioridades, e os municípios vêm sendo muito cobrados pelo Ministério Público em relação ao encerramento dessas áreas. A expectativa é trazer benefícios tanto para a nossa cidade quanto para os municípios vizinhos”, afirmou.

O presidente da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), Pedro Maranhão, explicou que a entidade, em parceria com o governo federal, o Ministério Público e outros órgãos, possui um programa de encerramento humanizado de lixões.

“O programa prevê o aproveitamento da estrutura existente de aterros, aliado a estudos logísticos em um raio de até 100 quilômetros, permitindo que os municípios destinem seus resíduos de forma ambientalmente adequada. Além disso, essa mudança contribui para a redução dos gastos com saúde pública. Municípios que mantêm lixões podem chegar a triplicar suas despesas com saúde, já que essas áreas favorecem a proliferação de doenças”, ressaltou.

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