Pedra fundamental de nova usina térmica é lançada no Complexo do Pecém; investimentos de quase R$ 6 bilhões

A nova usina terá capacidade para movimentar cerca de 14 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia quando estiver em operação

Por jangada.online em

11 de junho de 2026 às 10:34
FOTO: Tiago Stille/Governo do Estado

A pedra fundamental do projeto Jandaia, que marca o início da construção de uma nova usina térmica movida a gás natural no Complexo do Pecém, foi lançada na manhã desta terça-feira (9), com a presença do governador Elmano de Freitas.  A cerimônia, que ocorreu no auditório do Complexo do Pecém, reuniu autoridades estaduais, representantes das empresas Eneva e Diamante – responsáveis pelo empreendimento -, além de dirigentes do Complexo do Pecém e convidados.

O projeto foi selecionado no leilão de capacidade realizado pelo Governo Federal em março deste ano e representa um novo ciclo de investimentos estratégicos para o Estado. Com investimento estimado em R$ 5,5 bilhões, a usina faz parte de um conjunto de iniciativas que reforçam a infraestrutura energética do Ceará, ampliando a segurança no fornecimento e criando condições para a atração de novos empreendimentos industriais. A expectativa é que as obras, iniciadas ainda neste primeiro semestre, movimentem mais de 2 mil empregos diretos e indiretos.

Durante o evento, o governador destacou a relevância do projeto para a segurança energética do Estado. “Tenho convicção de que estamos fazendo aqui, nesta região, um novo Porto do Pecém. Com o nível de investimento que estamos trazendo, público e privado, é a construção de um novo Porto para o País”, disse, antes de citar alguns dos projetos que terão caráter complementar nesse sentido, como a Ferrovia Transnordestina, o Terminal de Granéis Líquidos e Tancagem e o Terminal de Gás do Nordeste, além da própria usina térmica.

“Aqui, teremos um dos escoadouros do agronegócio no País. Vamos ligar o Centro-Oeste à Transnordestina, que se ligará ao Porto do Pecém, ao de Suape, ao da Bahia… Vamos pensar a logística do País. Tenho absoluta convicção de que estamos construindo degraus muito sólidos de uma nova economia do Ceará, que tenha a energia como um de seus fatores determinantes”, discursou o governador.

Presidente do Compçexo do pecém, Max Quintino ressaltou o impacto estrutural do empreendimento na consolidação do hub logístico e industrial do Estado / Fotos: Tiago Stille/Governo do Estado

Pier 0
Além da implantação da usina, o projeto Jandaia inclui a construção de um novo terminal portuário no Complexo do Pecém, o chamado Píer Zero, que receberá investimento de aproximadamente R$ 430 milhões. A estrutura será fundamental para viabilizar o transporte de gás natural e dar suporte à operação da térmica.

O novo píer permitirá a atracação de uma unidade flutuante de regaseificação (FSRU), responsável por converter o gás natural liquefeito em gás, viabilizando o abastecimento da usina e de outros consumidores. A infraestrutura também será estratégica para o fortalecimento do setor energético no Estado, ampliando a oferta de gás para diferentes segmentos produtivos.

O presidente do Complexo do Pecém, Max Quintino, por sua vez, ressaltou o impacto estrutural do empreendimento na consolidação do hub logístico e industrial do Estado. “Quando cheguei aqui há um ano e meio, vi o quanto o desafio era grande, como o Complexo era importante para a economia do nosso estado. Hoje, podemos ver o quanto as coisas avançaram, o quanto a gente tirou do papel coisas que eram projeto e agora estão acontecendo”, festejou.

Já na avaliação da Eneva, o projeto simboliza um avanço importante para o setor energético brasileiro e para a expansão das operações no Ceará, conforme assinalou Marcelo Lopes, diretor executivo de Marketing, Comercialização de Gás e Energia e Novos Negócios na empresa. “O complexo termoelétrico que aqui implementaremos terá um papel fundamental como complemento dentro da matriz elétrica nacional. O Brasil é um país extremamente rico em fontes de energia. A gente tem bastante hidrelétrica, fontes renováveis como solar, eólica, mas a termoeléctrica tem um papel fundamental que é a segurança. Quando o vento não venta, quando o sol não brilha, quando a chuva não cai, você precisa de fontes despacháveis. E o projeto que a gente vai implementar aqui no Ceará é um projeto que tem esse condão, tem essa natureza”, explicou Lopes.

 

Capacidade e duração da obra
A nova usina terá capacidade para movimentar cerca de 14 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia quando estiver em operação. A previsão é de que o terminal portuário entre em funcionamento em 2028, com a conclusão das obras e testes da térmica prevista para o primeiro semestre de 2029.

Além de atender ao próprio projeto, a nova infraestrutura permitirá o fornecimento de gás para outras plantas industriais, incluindo a UTE Termoceará, da Petrobras, e futuros empreendimentos. A expectativa é que o Complexo do Pecém se consolide como um importante polo de distribuição de gás natural para todo o Nordeste.

Também participaram da solenidade desta terça-feira o presidente da ZPE Ceará, Rafael Sá; o prefeito de São Gonçalo do Amarante, Marcelo Ferreira Teles, e o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico de Caucaia, Deuzinho Filho.

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